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Ceará

Corredora denuncia racismo na Beira-Mar, em Fortaleza, ao ouvir de ciclista que ela deveria correr na periferia

12/07/2026 15:42 Por Redação AM Comunicação 3 visualizações
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A professora Débora Sandyla, de 32 anos, denunciou ter sofrido racismo durante um treino de corrida na última sexta-feira (10), na avenida Beira-Mar, em Fortaleza. O caso ocorreu quando uma ciclista idosa se incomodou após as duas dividirem o espaço na faixa da orla. "Pessoas como você não deveriam estar correndo na Aldeota, deveriam estar correndo na Barra do Ceará", teria dito a mulher, em uma clara distinção entre a "área nobre" e a periferia da capital cearense. A Polícia Civil está investigando o incidente como um possível caso de injúria racial.

Débora compartilhou o ocorrido nas redes sociais e explicou que mora no bairro Praia de Iracema há cerca de dois anos, frequentando a Beira-Mar em seus treinos constantemente. Durante o episódio, a corredora, uma mulher negra, relatou que a ciclista a abordou com comentários racistas e atitudes hostis, sugerindo que ela deveria correr em áreas periféricas da cidade. A situação desencadeou uma discussão entre as duas, que foi interrompida somente com a chegada da polícia.

Após a formalização da denúncia na Delegacia de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou Orientação Sexual (Decrin), as autoridades iniciaram as investigações para apurar o caso. No Brasil, desde 2023, a injúria racial é equiparada ao crime de racismo, sendo considerado inafiançável e imprescritível. Débora enfatizou que o incidente ressalta como o racismo atinge pessoas negras independentemente de sua condição financeira, destacando que as pessoas de cor são vítimas, independentemente de sua posição social.

A atitude discriminatória vivenciada por Débora na Beira-Mar, local conhecido por sua beleza natural e por ser um ponto de encontro para atividades físicas, traz à tona a necessidade de conscientização e combate ao racismo estrutural. A corredora afirmou que, mesmo diante das adversidades, decidiu enfrentar o preconceito e retornar ao local de treino, sendo apoiada por diversas pessoas que se solidarizaram com sua situação. Enquanto as investigações estão em andamento, a educação e o respeito mútuo entre as diferentes pessoas que compartilham os espaços públicos tornam-se essenciais para promover a diversidade e a igualdade.